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Porto · Arquitetura · Memória

Artur Vieira
de Andrade

14 de maio de 1913 — 9 de novembro de 2005

O arquiteto do Cinema Batalha.
O homem que a família recorda.

Conhecer a sua história ↓
Artur Vieira de Andrade · Retrato do arquivo familiar
Uma vida no Porto

A cidade conhece
a sua obra.

Na Praça da Batalha, gerações de portuenses entraram num cinema desenhado por Artur Andrade. O edifício ficou na cidade. A família guardou o homem.

Esta página aproxima essas duas memórias: a arquitetura e a vida, os documentos e as histórias contadas em casa.

O percurso

Uma vida a construir

1913

Cedofeita

Nasce no Porto. Na oficina familiar, aprende a trabalhar com as mãos.

1941–46

A arquitetura

Frequenta o Curso Superior de Arquitetura da Escola de Belas-Artes do Porto.

1947

O Cinema Batalha

A arquitetura encontra a pintura e a escultura. A censura marca as suas paredes.

1958

Humberto Delgado

Participa na candidatura presidencial do general como secretário-geral.

1974

A cidade

Toma posse como presidente da primeira Comissão Administrativa da Câmara do Porto.

2005

A memória

Morre aos 92 anos. A obra e as recordações familiares conservam a sua presença.

Memórias de Artur

O arquiteto e o homem

Dez momentos de uma vida, a partir do texto biográfico reunido pela família.

01A casa que a cidade conhece

O Cinema Batalha é uma das obras pelas quais o Porto recorda Artur Vieira de Andrade. A sala principal chegou a acolher 950 espectadores, num edifício em que o espaço também fazia parte do espetáculo.

O autor foi Artur Vieira de Andrade. A História conhece o arquiteto. A família conheceu o homem. Esta é uma tentativa de os juntar.

02Cedofeita, a madeira e as mãos

Artur nasceu a 14 de maio de 1913, em Cedofeita. A família recorda a loja de móveis com colchoaria que os pais abriram no rés-do-chão de casa. A mãe, Clara, transformara uma mobília simples, vendera-a por anúncio e fizera desse gesto o início de um negócio.

Na oficina, Artur aprendeu a polir e a envernizar. Segundo a memória familiar, aceitou a primeira encomenda aos doze anos e, mais tarde, aprendeu a pirogravar tampos de cadeira em sola. As mãos conheceram o ofício antes de ele se tornar arquiteto.

03O despertar político

A família guarda um episódio dos anos de escola: depois de um colega ser repreendido por andar mal vestido, Artur alugou um fraque e entrou assim na aula. Pelo caminho, os miúdos gritavam: «O Artur vai casar!» Era a sua maneira de contestar a injustiça.

Frequentou as tertúlias da Baixa, imprimiu e distribuiu panfletos. Em 1931 saiu de casa e empregou-se numa fábrica. A oposição ao regime levou-o várias vezes à prisão; o texto familiar conserva a divergência entre oito e nove detenções.

Foi na Pensão Astória que conheceu Laura Guilherme Mourão Nogueira. Casaram pelo civil em Vila Real, em 1936. Na memória da família, tornaram-se inseparáveis.

04O desenho encontra o seu caminho

A filha recorda o reconhecimento do seu talento para o desenho e o trabalho no gabinete de Arménio Losa. Para conciliar trabalho e estudo, fazia desenhos em casa e entregava-os de manhã.

Conta também que só se deitava quando o elétrico das seis da manhã subia a rua, levantando-se pouco depois. A Universidade do Porto situa a frequência do Curso Especial entre 1934 e 1937 e do Curso Superior de Arquitetura entre 1941 e 1946.

05O Rialto, a Portugália e a Batalha

No Café Rialto e na Livraria Portugália, Artur aproximou a arquitetura das artes plásticas. Essa relação ganhou outra dimensão no Cinema Batalha, inaugurado em 1947.

O edifício acolheu obras de Júlio Pomar, Américo Braga, Augusto Gomes, António Sampaio e Arlindo Rocha. Os frescos de Pomar foram tapados pela censura; no relevo da fachada foram apagados a foice e o martelo.

Classificado Monumento de Interesse Público em 2012, o edifício reabriu como Batalha Centro de Cinema em dezembro de 2022. Os frescos, preservados sob camadas de tinta, foram recuperados.

06A obra recusada

Em 1947, a Associação Industrial Portuense convidou-o a desenhar um palácio de exposições para os Jardins do Palácio de Cristal. A Câmara rejeitou o anteprojeto por motivos políticos. Trinta e quatro arquitetos subscreveram uma carta de protesto publicada na revista Arquitectura.

Artur participou também na fundação da ODAM, a Organização dos Arquitetos Modernos. Pertenceu à geração que procurou afirmar uma arquitetura moderna e socialmente comprometida.

07A candidatura de Humberto Delgado

Em 1958, Artur teve um papel ativo na candidatura presidencial de Humberto Delgado, tornando-se seu secretário-geral. A memória familiar recorda a viagem a Lisboa para convencer o general a avançar.

A campanha mobilizou a oposição à ditadura. O resultado oficial deu a vitória a Américo Tomás; Delgado denunciou a fraude. Artur continuou a intervir na vida política.

08Abril e a cidade nas suas mãos

Depois do 25 de Abril, Artur foi chamado à governação do Porto. A 4 de outubro de 1974 tomou posse como presidente da primeira Comissão Administrativa da Câmara, momento conservado nos arquivos da RTP. Mais tarde, foi vereador do Urbanismo.

A família associa a sua ação à recuperação de estudos para o Parque da Cidade e a intervenções urbanas no Porto. Essa lembrança refere o impulso dado aos processos, sem lhe atribuir a autoria exclusiva do parque.

Em 1989 voltou a candidatar-se à Câmara do Porto, pelo PRD. Aos setenta e seis anos, continuava a participar na vida democrática.

09O fim junto ao mar

No fim da vida, foi viver para Leça da Palmeira, para um prédio da Rua Hintze Ribeiro que ele próprio projetara. Fê-lo por gosto da praia.

Morreu no Porto a 9 de novembro de 2005, aos noventa e dois anos. A família guarda a memória das duas filhas, Maria da Conceição e Laura, e dos sete netos que receberam essa história.

10O homem que ficou na memória

Foi arquiteto e foi militante. Os espaços que desenhou e a intervenção política partiram da vontade de reunir as pessoas e de construir uma sociedade mais justa.

A família acrescenta à obra os gestos quotidianos, o esforço e a coragem. É essa presença, conservada entre a cidade e a família, que este projeto procura tornar visível.

«Um homem livre, determinado e compreensivo.»
Memória U.Porto · Biografia de Artur Vieira de Andrade
Presença Viva
Artur Vieira
de Andrade
O arquiteto do Cinema Batalha
1913–2005 · Memória biográfica
O livro

Uma vida entre
a cidade e a família

Uma edição em dez capítulos reúne o percurso de Artur e os episódios que a família conservou, com notas que distinguem o testemunho familiar do registo documental.

O livro acompanha este projeto de memória. Novas fotografias poderão integrar uma próxima edição, com as suas legendas.

Ler o livro completo →

Primeira composição · outubro de 2026

Arquivo e memória

Sobre esta edição

Texto de base fornecido pela família. Os episódios pessoais são apresentados como memória familiar. Mantiveram-se por esclarecer o número de detenções e a sequência de alguns acontecimentos de juventude. As datas e atribuições sem confirmação não foram tratadas como certezas.

Presença Viva · Estúdio de MemóriaArtur Vieira de Andrade · 1913–2005
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Artur Vieira de Andrade

O arquiteto do Cinema Batalha

Presença Viva · Edição de trabalho · outubro de 2026
Texto de base fornecido pela família. Os episódios pessoais mantêm a sua natureza de memória familiar; as divergências documentais estão assinaladas nas notas da edição em PDF.

01 · A casa que a cidade conhece

Na Praça da Batalha, no coração do Porto, há um edifício de linhas tensas e movimento contido que várias gerações conheceram como lugar de cinema. A sala principal chegou a acolher 950 espectadores. O próprio espaço fazia parte do espetáculo. O Cinema Batalha é uma das obras pelas quais a cidade recorda Artur Vieira de Andrade.

O autor foi Artur Vieira de Andrade. A História conhece o arquiteto. A família conheceu o homem. Esta é uma tentativa de os juntar.

02 · Cedofeita a madeira e as mãos

Segundo a memória familiar, Artur nasceu a 14 de maio de 1913, na Rua Antero de Quental, em Cedofeita, terceiro filho de Manuel Vieira de Andrade, de Castelo de Paiva, e de Clara Rodrigues de Andrade, de ascendência galega. O casal vivia com algumas dificuldades, mas a mãe não era mulher de se conformar. A filha, Laura, ouviu inúmeras vezes da avó a história de uma mobília simples para a sala de jantar que Clara foi enfeitando, adereço a adereço. Vendeu-a por anúncio no Jornal de Notícias. Correu bem. Daquele pequeno gesto de ambição nasceu um negócio: uma loja de móveis com colchoaria, aberta no rés-do-chão da própria casa.

Foi ali, entre vernizes, tachas e ferragens, que Artur aprendeu a trabalhar a madeira. Segundo o relato familiar, aos doze anos aceitou, por vontade própria, a primeira encomenda de um cliente. Polia e envernizava; mais tarde, para colaborar no negócio da família, aprendeu a pirogravar tampos de cadeira em sola. As mãos conheceram o ofício muito antes de ele se tornar arquiteto.

03 · O despertar político

O interesse pela política começou cedo. A família conta que, aos treze anos, ouviu o seu barbeiro discursar na Avenida dos Aliados sobre os ideais do comunismo. Guarda também um episódio dos anos de escola: depois de um colega ser repreendido por andar mal vestido, Artur alugou um fraque e apresentou-se assim na aula. Pelo caminho, os miúdos gritavam: «O Artur vai casar!» Era a sua forma de confrontar o professor com a injustiça da repreensão. Ainda jovem, começou a frequentar as tertúlias dos cafés da Baixa, sobretudo A Brasileira, onde escutava a crítica ao regime e a defesa da igualdade social e da liberdade de expressão. Depressa deixou de ser apenas quem ouvia. Passou a imprimir e a distribuir panfletos e cartazes.

Em casa, a política tornou-se motivo de tensão. A mãe não suportava as visitas da polícia política. Em 1931, Artur saiu de casa e foi procurar a sua independência, empregando-se numa fábrica como apontador. A primeira detenção é situada no texto familiar em 1933, aos vinte anos, com passagem pelo Limoeiro e pela Cadeia da Relação. Seria a primeira de muitas: o manuscrito menciona oito ou nove. Conserva-se essa divergência, sem fixar um número definitivo.

A memória familiar situa em 1934 um episódio de fuga. Detido no Campo 24 de Agosto, ao passar pelo antigo Cinema Trindade, à saída de uma sessão, Artur pôs-se a gritar, denunciando em voz alta os agentes da polícia política. Fez-se desordem na rua. Com a ajuda dos transeuntes, escapou até casa de um amigo na Rua do Almada, que lhe emprestou uma farda militar do pai. Foi fardado de soldado que regressou a casa em segurança. Por esses anos, adotou o pseudónimo Olímpio Cardoso.

Foi também nessa fase, hospedado na Pensão Astória, na Rua de Gonçalo Cristóvão, que conheceu Laura Guilherme Mourão Nogueira, natural de Vila Real e hóspede da mesma pensão. Casaram pelo civil em Vila Real, em 1936. Ele tinha vinte e três anos; ela, vinte e um. Na recordação da família, tornaram-se inseparáveis.

04 · O desenho encontra o seu caminho

A filha recorda que um vizinho reconheceu no jovem o dom do desenho e associa a sua passagem pela Câmara Municipal do Porto, como desenhador, ao Pelourinho da Sé. Guarda também a memória do trabalho no gabinete de Arménio Losa, que lhe reconheceu a aptidão. Para conciliar trabalho e estudo, Artur fazia desenhos em casa e entregava-os de manhã, podendo assim frequentar as aulas. Estes episódios ajudam a perceber a determinação com que procurou a arquitetura, embora a sua sequência exata deva ser lida como memória familiar.

Estudou com esforço. Segundo a filha, só se deitava quando o primeiro elétrico das seis da manhã subia a rua, para se levantar pouco depois, às oito e meia. Na capa escolar desenhava a foice e o martelo. Viria a afastar-se dos ideais comunistas ao reconhecer a repressão na União Soviética, incompatível com a sociedade solidária e humanista que defendia. A biografia da Universidade do Porto situa a frequência do Curso Especial de Arquitetura entre 1934 e 1937 e do Curso Superior entre 1941 e 1946.

05 · O Rialto a Portugália e a Batalha

A obra própria começou cedo. O manuscrito situa a inauguração do Café Rialto, na Praça D. João I, a 6 de dezembro de 1944, ainda antes de Artur terminar o curso de arquitetura. No café reuniu o trabalho dos pintores Dórdio Gomes, Guilherme Camarinha e Abel Salazar e um baixo-relevo do escultor João Fragoso. Ficou desde logo definida uma marca: arquitetura e artes plásticas trabalhando juntas. Em março de 1945, segundo a mesma recolha, veio a Livraria Portugália, com pinturas de Augusto Gomes e Camarinha, na antiga Rua de Santo António.

E depois veio a Batalha. Inaugurado em 1947, no lugar do antigo cinema High-Life, o edifício tornou-se uma obra emblemática de Artur Andrade. A arquitetura acolheu os frescos de Júlio Pomar nos foyers, os relevos de Américo Braga e Augusto Gomes, a pintura de António Sampaio e a escultura Flora, de Arlindo Rocha. Um cinema podia ser também um lugar de encontro entre as artes.

A censura atingiu esse encontro. A prisão de Júlio Pomar por motivos políticos interrompeu a execução dos frescos, concluídos depois da abertura do cinema e posteriormente tapados. No relevo da fachada, de Américo Braga, foram apagados os símbolos da foice e do martelo. A Batalha ficou marcada pela repressão do regime, mas também pelo trabalho de quem procurava criar um espaço de beleza e de encontro.

O edifício foi classificado Monumento de Interesse Público em 2012. Após a reabilitação, abriu ao público como Batalha Centro de Cinema em dezembro de 2022. Os frescos de Pomar, que sobreviveram sob camadas de tinta, foram recuperados. A história que as paredes guardavam voltou a tornar-se visível.

06 · A obra recusada

O mesmo regime que censurou as paredes da Batalha rejeitou-lhe uma obra inteira. Em 1947, a Associação Industrial Portuense convidou-o a riscar um palácio de exposições para os Jardins do Palácio de Cristal. A Câmara indeferiu o anteprojeto — com a justificação, escrita, de que o autor era opositor ao regime. Não se discutiu o mérito. Discriminaram os ideais.

A resposta dos pares diz muito sobre o respeito que Artur Andrade inspirava. Trinta e quatro arquitetos assinaram uma carta, publicada na revista Arquitectura, repudiando uma decisão que ignorava a obra para punir o homem. Não foi um gesto isolado de talento a defender-se; foi uma profissão a reconhecer um dos seus.

Em 1947, Artur participou também na fundação da ODAM, a Organização dos Arquitetos Modernos, com Agostinho Ricca, Alfredo Viana de Lima e outros arquitetos.

A ODAM contribuiu para afirmar uma arquitetura moderna, funcional e socialmente comprometida, em oposição ao conservadorismo oficial do Estado Novo. Artur Andrade pertenceu a essa geração que procurou mudar a forma de construir e de pensar a cidade.

O manuscrito associa-lhe a Garagem da Rua Latino Coelho, em 1958, e outras obras: o prédio da FIAT, a Estalagem de São Tiago em Entre-os-Rios, a Fábrica de Fiação Figueiredo & Maia em Santo Tirso, moradias e edifícios de habitação. O Cinema Batalha permanece a sua obra mais reconhecida, mas não esgota o seu percurso.

Mas o ano de 1958 traria, sobretudo, outra coisa.

07 · A candidatura de Humberto Delgado

Em 1958, segundo o relato recolhido pela família, Artur soube pelo amigo Artur Santos Silva que havia um general descontente com o regime. Partiu para Lisboa e apresentou-se na Aeronáutica Civil com uma missão: convencer Humberto Delgado a candidatar-se à Presidência da República. Delgado aceitou e Artur tornou-se secretário-geral da candidatura. A campanha mobilizou a oposição à ditadura. O resultado oficial deu a vitória a Américo Tomás; Delgado denunciou a fraude. O general viria a ser assassinado pela PIDE em 1965, em Espanha, com a sua secretária, Arajaryr Campos.

Artur Andrade sobreviveu a esse tempo como sobrevivera a todos os outros: sem nunca se calar.

08 · Abril e a cidade nas suas mãos

Quando a ditadura caiu, a 25 de abril de 1974, Artur foi chamado a intervir na governação da cidade. A pedido de Francisco Sá Carneiro e Joaquim Magalhães Mota, filiou-se no PPD e integrou as comissões de admissão do partido. A 4 de outubro de 1974 tomou posse como presidente da primeira Comissão Administrativa da Câmara Municipal do Porto, momento conservado nos arquivos da RTP. Mais tarde, exerceu funções de vereador do Urbanismo. O arquiteto cujo projeto a Câmara recusara em 1947 participava agora nas decisões sobre a mesma cidade.

A memória familiar associa a sua ação municipal à Rua Bento Jesus Caraças, à Avenida de Damião de Góis e à recuperação de estudos para o Parque da Cidade do Porto. Recorda-o a mobilizar desenhadores e arquitetos para retomar um projeto arquivado. Esta lembrança refere-se ao impulso dado ao processo, sem lhe atribuir a autoria exclusiva do parque ou a totalidade da sua realização.

O reconhecimento formal veio depois. O manuscrito regista a atribuição do grau de Comendador da Ordem da Liberdade em 1985 e uma homenagem da Secção Regional do Norte dos arquitetos, no Dia Mundial da Arquitetura, em 1990. Em 1989 voltou a apresentar-se ao eleitorado, candidato à Câmara do Porto pelo PRD de Ramalho Eanes. Foi derrotado por Fernando Gomes. Aos setenta e seis anos, continuava a participar na vida democrática.

09 · O fim junto ao mar

No fim da vida, Artur Andrade foi viver para Leça da Palmeira, para um prédio da Rua Hintze Ribeiro que ele próprio projetara. Fê-lo por gosto da praia. Há uma coerência silenciosa neste desfecho: o homem que desenhou espaços para a cidade acabou os dias numa casa desenhada pela sua mão, junto ao mar que escolheu.

Morreu no Porto a 9 de novembro de 2005, aos noventa e dois anos. Segundo a informação familiar, foi sepultado no Cemitério do Prado do Repouso.

Deixou duas filhas: Maria da Conceição, nascida em 1942, e Laura, nascida em 1947. Segundo o registo familiar, da primeira nasceram Ana Cristina Leite, Fatucha Leite, Luís Artur Leite e Filipa Leite; da segunda, Zé Artur Rodrigues, Laura Manuela Rodrigues e Ana Clara Rodrigues. Sete netos receberam essa memória. A família procurou reunir histórias que os documentos oficiais não guardavam. O manuscrito refere ainda a monografia Obra e Vida de Artur Andrade, de Pedro Soares da Silva, apresentada em 2008 à Universidade Fernando Pessoa e construída com entrevistas à família.

10 · O homem que ficou na memória

Foi arquiteto e foi militante. As suas obras eram lugares de encontro: um café, uma livraria, um cinema onde a cidade se reunia. A sua intervenção política partia da vontade de construir uma sociedade mais justa. A memória que a família conserva junta essas duas dimensões e acrescenta-lhes os gestos quotidianos do homem.

A biografia da Universidade do Porto recorda-o com estas palavras:

«Um homem livre, determinado e compreensivo.»

O Cinema Batalha continua na Praça da Batalha. Quem ali entra encontra uma parte do trabalho de Artur Andrade. A família guarda outras: as mãos que aprenderam na oficina, a persistência nos estudos, a coragem e a vida junto de quem o conheceu. É essa presença, conservada entre a cidade e a família, que este livro procura tornar visível.

Fontes de apoio: Memória U.Porto, Batalha Centro de Cinema e RTP Arquivos. A autoria fotográfica do retrato fornecido não foi indicada.

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